Autor: alinefranco

  • Oficina “Identidade e Consumo”

    Interessadas em desenvolver um tema que se colocasse, ao mesmo tempo, próximo da realidade dos alunos e inserido no ambiente escolar, escolhemos trabalhar com o tema da formação das identidades. Partindo do pressuposto de que a educação deve ser crítica, de modo a fornecer elementos para a ampliação das reflexões acerca da realidade, contextualizamos a formação da identidade jovem em associação ao consumismo presente em nossa sociedade, e especialmente, no cotidiano de nossos alunos.

    Trabalhamos com alunos do 2º ano do Ensino Médio (turma A), e decidimos utilizar a publicidade como forma de mobiliza-los em torno do tema ‘consumo’, através da apresentação de algumas propagandas de produtos que normalmente eles consomem. Após a exibição das propagandas, discutimos principalmente dois temas: a construção da imagem nas propagandas (sempre relacionada ao consumo dos produtos) e a formação e reprodução de esteriótipos sociais (por exemplo a mulher realizando trabalhos domésticos e o homem dirigindo).

    Após uma breve discussão sobre formação de identidade, pedimos aos alunos que produzissem ou trouxessem imagens de objetos que tivessem ligação com a suas identidades para que trabalhássemos com eles no segundo encontro que realizaríamos. Poucos alunos trouxeram as fotos, mas como já esperávamos por isso, levamos uma câmera para a sala e tiramos as fotos na mesma hora; o que resultou no seguinte ensaio fotográfico: 

    No encontro seguinte, iniciamos a discussão sobre ‘contrapropaganda’ , que se trata da inversão da lógica da propaganda: enquanto a propaganda se utiliza de recursos (muitas vezes fantasiosos) para vender, a contrapropaganda mostra a realidade; enquanto a propaganda se utiliza de esteriótipos, a contrapropaganda os desconstrói. Para facilitar o entendimento dos alunos, exibimos algumas contrapropagandas e realizamos um debate, no qual os estudantes apontaram mais uma serie de propagandas que estavam ligadas a construção direta de identidade e fomos desconstruindo-nas juntos.

    Mostramos também, imagens do projeto “The bubble Project” que utiliza a intervenção de pessoas em propagandas impressas, como forma de transformar a imagem em contrapropaganda. Como a imagem a seguir:

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    Terminamos a oficina fazendo um apanhado das discussões feitas nos três encontros que tivemos, e evidenciando mais uma vez o objetivo da oficina. Propusemos a elaboração de um trabalho que poderia ser feito de forma livre, seguindo os seguintes passos:

    Primeiro os alunos deveriam se dividir em grupos e cada grupo deveria escolher um objeto para pensar a questão propaganda-identidade-consumo. Os alunos foram convidados a seguir a mesma lógica de desconstrução desses objetos assim como fizemos conjuntamente nas oficinas.

    Depois disso, os alunos deveriam criar uma contrapropaganda utilizando esse mesmo objeto, em forma de vídeo, de colagem, de fotografia, ou qualquer outro modo desejado, para apresentação no último encontro da oficina.

    O último encontro que realizamos foi destinado à apresentação das contrapropagandas realizadas pelos alunos. Infelizmente apenas dois grupo compareceram, devido ao fato de todos estarem praticamente de férias. Seguem as duas contrapropagandas produzidas pelos alunos:

    http://www.youtube.com/watch?v=yPsW4t3nJOc&feature=youtu.be

     

    http://www.youtube.com/watch?v=-zWJnIBtQKA&feature=youtube_gdata

     

  • Relato da Oficina Identidade e Consumo- 14/06

    A oficina realizada dia 14 de junho, teve como conteúdo principal a contrapropaganda.
    Na primeira oficina, apresentamos para os educandos a relação entre a propaganda, a criação da identidade e o consumo. A ideia do terceiro encontro, era utilizar o conhecimento que foi gerado nos encontros anteriores e adicionar a discussão a contrapropaganda como elemento que visava quebrar a lógica construída com a propaganda, evidenciando seu caráter supérfluo e seu objetivo único de idealizar um produto de modo que o faça parecer essencial para o público alvo que deveria consumi-lo.

    Nosso encontro aconteceu na mesma semana em que os protestos por conta do aumento da tarifa estavam acontecendo em São Paulo. Enquanto nós montávamos o material que seria usado na oficina, perguntamos aos alunos o que estava chegando até eles sobre a manifestação, quais eram as informações as quais eles tinham acesso e também qual opinião deles e das pessoas que estavam em volta deles sobre o tema. Ouvimos um pouco do que eles tinham a dizer, compartilhamos o depoimento de quem estava lá ou de conhecidos que estavam lá, e depois de conversar um pouco sobre isso, demos início à oficina.

    Iniciamos a oficina com a apresentação de uma sequência de dois pares de vídeos que contavam primeiro com uma propaganda e em seguida com uma contrapropaganda baseada no primeiro vídeo. O primeiro era uma propaganda da Coca-Cola, em que eram usadas comparações completamente desconexas para criar um cenário em que consumir a Coca-Cola parecia fazer com que a vida ficasse de fato mais bonita. A contrapropaganda que veio em seguida, da mesma forma, foi montado em cima de comparações, mas dessa vez comparações duras e realistas, e dizia ao fim que o único objetivo daquilo tudo era vender o refrigerante. A outra sequência de vídeos, era uma propaganda do chocolate kit-kat, em que uma rotina cansativa poderia ser suavizada com o consumo de um kit-kat. O vídeo da contrapropaganda, representava o chocolate como o dedo de um orangotango,  denunciando a compra de óleo de palma de empresa que desmatavam florestas que eram habitat dos orangotangos.

    Depois de mostrar os vídeos, conversamos sobre quais eram as impressões que eles tiveram sobre os vídeos e os objetivos da contrapropaganda.

    Em seguida, mostramos um vídeo que compilava fotos de editoriais de revistas de moda em que a mulher aparecia sempre como indivíduo subjugado e o homem sempre como indivíduo dominante. Depois da série fotográfica em que as mulheres apareciam assim, o vídeo colocava fotos de homens ocupando o papel em que nas fotos anteriores era representado pela mulher, tendo cabelos puxados, usando pouca roupa, tendo a mulher como indivíduo dominante na imagem, etc. A partir desse vídeo, iniciamos uma conversa que discutiu a propaganda como forma direta ou indireta da construção da identidade.

    Depois desse vídeo, os estudantes apontaram mais uma serie de propagandas que estavam ligadas a construção direta de identidade, principalmente de propagandas que sempre relacionavam a questão da limpeza com a imagem da mulher, propagandas de carros com a figura masculina, propaganda de maquiagem, etc.

    Mostramos também, imagens do projeto “The bubble Project” que mostra a intervenção de pessoas em propagandas impressas, como forma de transformar a imagem em contrapropaganda.

    Terminamos a oficina fazendo um apanhado das discussões feitas nos três encontros que tivemos, e evidenciando mais uma vez o objetivo da oficina e o propósito do trabalho que nós pedimos que eles elaborassem em grupo, que poderia ser feito de forma livre, pensando a questão propaganda-identidade-consumo para posteriormente a criação de uma contrapropaganda que inverta essa lógica.

  • Relato da Oficina Identidade e Consumo- 07/06

    A oficina realizada no dia 07 de junho teve como intuito, uma breve revisão, pois devido à Greve docente ficamos algumas semanas sem ir à escola.

    Primeiramente revisamos conteúdos de propaganda trabalhados na oficina anterior, associando as lembranças que os alunos tinham e a repetição do material anteriormente utilizado.

    Em seguidas iniciamos uma atividade com as fotos que haviam sido pedidas para os alunos anteriormente. Já esperando que poucos levassem as fotos, levamos uma câmera para tirar fotos na hora. Ao abordar os alunos, perguntávamos “entre os objetos que você tem aqui, qual representa melhor sua identidade?” A partir dos objetos apresentados pelos alunos e fotografados por nós iniciamos um breve debate sobre a os objetos enquanto componentes da identidade.

    Em seguida, perguntamos a cada aluno o motivo pelo qual os objetos apresentados eram componentes de suas identidades e cada um explicou seus motivos. Feito isso, iniciamos um novo debate com a intenção de tratar da apropriação feita pelas marcas e pela publicidade dos objetos que usualmente compõe a identidade jovem.

    Juntos refletimos sobre a construção da imagem do jovem através de alguns objetos específicos e da comercialização destes objetos, que gera o consumismo entre eles. Além disso, realizamos também algumas discussões sobre a imagem vendida através das propagandas e a imagem real dos que consomem os objetos.

    Com isto, demos conta, neste momento de realizar uma reintegração de todos nós à oficina, além de desenvolvermos o tema da construção de identidade e da publicidade voltada justamente para estes jovens; contando ainda com a produção das fotografias como material desta discussão.